quinta-feira, 25 de março de 2010

As minhas quartas-feiras à “noite”

Desde de há um mês e meio para cá que às quartas-feiras, por volta das 17:15 (eles chamam a isto noite) tenho ido ter ao CYCA. E o que é o CYCA? Traduzindo por miúdos é o Cruising Yacht Club of Australia e é lá que está ancorado o Jewel, um veleiro com 33 pés onde faço vela grande.

O CYCA organiza todas as quartas-feiras durante a época de verão (Outubro a Março), as Twilight Series. Estas regatas, onde é proibido içar o Spi, são dentro do Sydney Harbour (toda a baía de Sydney) e começam às 18h o que permite a quem trabalha chegar ao clube a tempo. Por essa razão, todas as semanas estão presentes mais de 100 barcos divididos por 4 classes.

Como é que isto tudo começou? Eu já sabia destas regatas e numa passagem pelo clube tinham-me dito que nos dias de regata havia um quadro no bar do clube onde quem queria entrar para um barco se inscrevia e os barcos que estavam à procura de pessoas punham o nome. Assim, um dia destes lá fui eu para o clube por volta das 17h procurar o dito quadro. Como não sabia, perguntei à primeira pessoa que vi onde era o bar. Sorte! Era o Tony, skipper do Jewel, que ia a caminho do bar para ver o quadro porque precisava de uma pessoa. Fui logo com ele e, desde então, tenho sido convocado quase todas as semanas.

Nós estamos na classe D, a mais baixa, e o ambiente a bordo é muito mas muito descontraído. Aliás, é tão descontraído que quando perguntei como é que eles se costumavam safar o Tony disse-me para não preocupar porque no final, geralmente eram os últimos mas também os mais bêbados. De facto é isto que acontece excepto quando ele tem jogo de futebol a seguir e não bebe. Aconteceu duas vezes e ficámos em 3º e 4º lugar o que é muito bom tendo em conta a composição da tripulação. No fim das regatas vai tudo para o bar para beber mais uns copos num ambiente óptimo e onde quase 95% das pessoas são Australianas, o que é muito raro em Sydney.

Agora chega de conversa e ficam umas fotografias duns momentos bem passados.

O Tony num dia de futebol

Aqui não tinha jogo. Não admira que lhe tenham tirado a carta...

domingo, 21 de março de 2010

Portugal nas notícias

Por cá também se fala de Portugal! Quando no fim-de-semana passado líamos o semanário de cá (o “The Australian”), que recebemos todos os sábados de manhã à porta de nossa casa bem enrolado em canudo (falta saber se é um miúdo que faz a distribuição de bicicleta e o atira em direcção à nossa porta), encontrámos Portugal em grande destaque! O The Australian é muito semelhante ao Expresso, com vários cadernos dedicados a diferentes temas, embora tenha a particulariedade de conseguir ser ainda maior e menos prático de ler do que o Expresso. Bem, mas vamos ao que interessa, em dois artigos o nosso país era o tema principal, num caso pelas piores razões, noutro objecto de elogios! Começando pela “boa notícia”, a vila de Pedralva teve direito a duas páginas do caderno de viagens. O artigo, intitulado “A vision splendid”, realça o espírito empreendedor dum português que ao encontrar Pedralva em ruínas, conseguiu ver o potencial daquela vilazinha perto da Carrapateira e recuperar várias casas, para agora as tornar rentáveis turisticamente. Para quem viu Pedralva em ruínas (só com a pizzaria lá no meio) é difícil imaginar como é que aquilo estará agora. O artigo dá também umas dicas sobre como passar uns bons dias naquela zona, o que realmente não é difícil… Confesso que fiquei com algumas saudades daqueles diazões de Junho passados no Amado ou em Vale Figueira, que terminam com umas belas amêijoas com vista para o mar no Sítio do Forno!!! Aqui fica o artigo: O outro artigo sobre Portugal era bem menos animador: a economia voltou a contrair, o país é visto como o próximo membro da zona euro a enfrentar uma crise em termos semelhantes à da Grécia, e a Fitch Ratings parece ameaçar um downgrade do nosso rating… Nada boas notícias, mas nada que, infelizmente, já não soubéssemos… Vejam o artigo:

segunda-feira, 15 de março de 2010

Air born surfers

Há 20 anos que não havia em Bondi uma competição internacional de surf mas, no passado fim-de-semana, isso mudou com o Boost Mobile Surfsho. Trata-se dum campeonato de aéreos que foi organizado entre duas etapas do WCT (campeonato do mundo) e que aproveita a passagem dos melhores surfistas do mundo pela Austrália. Na lista de concorrentes encontravam-se nomes pouco conhecidos como: Kelly Slater (9 vezes campeão do mundo), Mick Fanning (actual campeão do mundo e já com 2 titulos), Taj Burrow, Owen Wright (o puto maravilha Australiano que acabou por ganhar os $30.000), entre outros.
Olha que três!
Como não podia deixar de ser, nós estivemos lá no sábado, acompanhados pelos Vozones, para assistir a tudo. Com a praia à cunha, estava toda a gente em cima uns dos outros e a circulação pela areia era bem difícil. No entanto, isso não impediu a Leo de se meter em pé com um salto, arrancar-me a máquina das mãos e largar a correr, com o resto da maralha, para o corredor de acesso à água, assim que nos altifalantes anunciaram que ia ser o heat do Kelly Slater. Durante um bom bocado deixei de a ver e, quando finalmente a encontrei, vinha com um sorriso de orelha a orelha a dizer que tinha estado a um braço de distância dele. Aparentemente até teve de ser empurrada para trás por um policia. Eu não seria certamente recebido com tanto entusiasmo!
O mar de gente...
Não conhecemos estas de lado nenhum mas, estavam em cima de nós!
Rita, especialmente da Leo para ti...
A felicidade depois do encontro imediato!
Paralelo ao surf, haviam outras atracções como as meninas da Reef (em potencial) e um bloco de gelo gigante com uns telemóveis lá dentro. Quem conseguisse derreter um buraco até ao telemóvel, ficava com ele (estavam lá uns índios que até cotoveladas mandavam no gelo para lá chegar mais depressa!). Agora chega de conversa e ficam aqui umas fotografias do que se passava dentro de água.
A caminho do meu heat...
Com este professor haveria muitas mais meninas a surfar, Leo inclusive!
Se com a água a 23ºC está assim, imagino a surfar em Portugal
Já deu para ver que o mar não estava grande coisa mas mesmo assim foi uma tarde muito bem passada.

sábado, 13 de março de 2010

Vá para dentro... Cá fora!!!

Este domingo fomos passar o dia ao Royal National Park, com os nossos novos amigos suíços Samuel e Jacqueline. O Royal National Park é o segundo parque mais antigo do mundo e o mais antigo da Austrália. Fica a 30 km a sul de Sydney e é uma excelente oportunidade para sair um bocado da confusão da cidade e aproveitar as paisagens magnificas que o parque tem para oferecer.

Decidimos fazer o coast trekking que é um caminho quase todo junto à costa. As praias e o recorte desta costa, como podem ver, tem muitas semelhanças com a nossa costa do Algarve. Por momentos achámos que estávamos a dar um passeio na costa Vicentina!!! Almoçámos numa praia completamente deserta e acabámos o trecking com um mergulho numa lagoa muito apetecível! O Samuel está a fazer o LLM na minha faculdade e a Jacqueline está a fazer um curso de project management também na Sydney Uni e revelaram ser uma excelente companhia para os nossos próximos programas por cá!

Garantimos que as fotografias foram mesmo tiradas cá! Encontrem as diferenças entre esta costa e a algarvia!

domingo, 7 de março de 2010

GO TAHS!!!

Em Roma sê Romano e por isso, no Sábado passado, fomos ver o jogo dos Warathas contra os Sharks a contar para o campeonato Super 14. Este é o maior campeonato de Rugby Union do hemisfério Sul e é disputado por 4 equipas Australianas, 5 equipas da Nova Zelândia e outras tantas da África do Sul. Os Warathas são a equipa do estado de New South Wales e a sua sede é em Sydney, no Sydney Football Stadium (SFS). Só para terem uma noção para além dos Tahs, mais 4 equipas de Sydney, que tem uma população de 4,4 milhões, chamam casa a este estádio: duas de Rugby League e grandes rivais (Sydney Roosters e Wests Tigers), uma de Football (Sydney FC) e uma de Aussie Rules (Sydney Swans). Grande Lisboa tem 2 milhões de habitantes e no que toca a estádios, é o que é!

Mas voltando ao que realmente importa... Os Tahs iam jogar e nós queríamos ir! Por isso, depois duma tentativa falhada de comprar os bilhetes online (não dava para perceber para onde eram os lugares que estávamos a comprar), seguimos da Caravela para o SFS para comprar os bilhetes mas, quando lá chegámos, pelos nossos padrões, nem parecia dia de jogo. Tudo deserto! Depois de quase uma volta ao estádio lá encontrámos um tipo com uma camisola dos Wallabies a carregar uns tripés gigantes. Fomos ter com ele e explicámos que queríamos comprar bilhetes mas não sabíamos nem onde, nem para onde. Depois de uns dedos de conversa o nosso problema resolveu-se quando o ouvimos dizer “never say the rugby community has never done anything for you” enquanto metia a mão ao bolso e sacava dois bilhetes. Ah pois é, assim sabe ainda melhor!

Como o jogo era só às 7:40 e para aquelas bandas não encontrámos bifanas, couratos ou minis que sem dúvida ajudariam a passar as horas até ao jogo começar, fomos para casa com uma passagem pelo Paddigton Market que ficará para outro post dedicado aos mercados.

Já a caminho do estádio e com o farnel preparado resolvemos ir pic-nicar ao Centennial Park, claro está, nas nossas “binas”.

Chegada a hora do jogo e chegados ao estádio, constatamos que os nossos bilhetes eram na segunda fila (grandas bilhetes!). Não contentes com isto (estávamos num topo) e também para fugir à criançada que por ali formigava fomos para uns lugares bem mais próximos do centro do terreno. Foi daqui que assistimos à nossa vitória à Sporting. Ganhámos 25-21 e os últimos 15 minutos foram bem sofridos com os Sharks sempre na iminência de marcar um ensaio.

No fim do jogo houve uma invasão autorizada de campo para dar oportunidade ao público de estar no centro do terreno e de conviver com os seus ídolos. Sim, depois de 80 minutos a correr e levar porrada os jogadores têm de ficar no campo a distribuir brindes e autógrafos e a dar conversa ou tirar fotografias com o público. Por estas bandas não há vedetas e como o desporto vive do público e o lema em tudo é making money os jogadores têm de “alimentar” quem os alimenta.

A Leo e o Josh Holmes (Scrumhalf – Formação)

Eu e o Damien Fitzpatrick (Hooker - Talonador)