sábado, 10 de abril de 2010

3rd Day – Depot Beach to Sydney

Para não fugir à regra destas férias, voltámos a acordar bem cedo. Como já não havia grande coisa a fazer em Canberra e as previsões de tempo para a costa eram um bocadinho melhores, por volta das 8:30 já estávamos a sair de Queenbeyan, cidade satélite da capital onde passáramos a noite. Os objectivos para este dia, antes do regresso a Sydney, estavam traçados: explorar a costa um bocado mais para Sul, tentar surfar e ver cangurus ou wallabies, não importava – achámos que depois de 2,5 meses, ainda não ter visto estes bichos saltitantes era um escândalo, por isso o tamanho não importava (os primeiros são os grandalhões), queríamos era vê-los vivos já que pintados nos sinais de trânsito e atropelados na berma da estrada há aos pontapés. Parece que os bichos são mesmo estúpidos e à noite quando andam a pastar na berma e vêem as luzes dos carros têm um desejo incontrolável de saltar em direcção à luz. Claro está, a coisa não corre bem para ninguém: eles, todos felizes, seguem a luz mas apagam-se logo a seguir; os carros ficam todos partidos, o que torna guiar à noite por cá um bocado perigoso.

Como sabíamos que em Pebbly Beach costumava haver cangurus fomos directos para lá. Da estrada principal até lá era uma estrada de terra batida, transformada num lamaçal pela chuva que afinal ainda caía. Mas como carro alugado é para isto mesmo, lá fomos nós. Chegados lá, a ausência dos prometidos marsupiais e a sempre presente chuva fez-nos decidir ir mais para Sul onde o tempo parecia melhor. Chegados a Depot Beach (mesmo acima de Batemans Bay) onde deveria dar para surfar, houvessem ondas, encontrámos wallabies. Objectivos 1 e 3 cumpridos ainda por cima com o tempo a melhorar e numa baía brutal.

Depot Beach

Numa de aventureiros quando saímos desta praia para iniciar a subida da costa resolvemos ir pela estrada de terra batida. Qual não foi o nosso espanto quando pouco tempo depois estávamos de volta a Pebbly Beach que afinal era no extremo Norte da baía. Mais uma passeio porque já não chovia e mais wallabies. São animais selvagens mas, estão tão habituados a pessoas que é possível tirar umas fotografias engraçadas:

É impressionante mas depois de medir a passo umas pegadas na praia, concluímos que eles dão saltos com bem mais de 2 metros e estes são só os wallabies. Imagine-se os cangurus! Depois deste momento “BBC Vida Selvagem” continuámos a viagem de volta a casa ao longo da costa com paragens em vários spots conhecidos de surf mas que não reuniam as condições necessárias à prática da modalidade. Foi num destes, Dolphins Point que acabámos por fazer o nosso almoço de Páscoa. Foram umas sandwichs comidas dentro do carro porque estava outra vez a chover mas com uma vista e uma companhia inigualáveis.

Dolphins Point (onde foi o nosso almoço)

Bawley Point

Narrawalle Beach

Para além das várias praias, a meio caminho ainda parámos em Berry, uma vilazinha bem simpática, para tomar um café.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

2nd Day – Golfies and Canberra

UNITED

Depois de uma noite muito bem dormida no Sandpiper Motel em Ulladulla e bem cedinho, 7 am, acordamos para um dia igual à noite, ou seja, chuvoso. Isto de imediato traçou o nosso próximo destino, Canberra mas, antes disso, impunha-se uma surfada! Assim, munidos do meu guia de surf da Australia, partimos à descoberta. Depois de ter confirmado que a praia onde tínhamos jantado não oferecia condições fomos à procura de um pico chamado Golfe Course Reef. Seguindo as indicações do guia lá fomos nós mas estas levaram-nos de volta à mesma praia. Impunha-se conhecimento local. Depois de uns dedos de conversa com um velho lobo do surf que por lá andava, rumamos a Golfies (o nome carinhoso que os locais dão ao pico) já que ele confirmou que essa seria mesmo a melhor opção. Confirmava-se! Alta esquerda num reef break. De fato já vestido e muito agradecido pela mulher que tenho (a Leo ia ficar sozinha à minha espera até os Vozones chegarem e por causa do tempo nem sequer dava para estar na praia) fiz-me ao mar. A surfada foi prejudicada pelo crowd e pela maré a subir mas deu para tirar a barriga de misérias e preparar-me para rumar a Canberra.

Esta é no dia seguinte, estava muito melhor!

Imagino que estejam a estranhar este destino e mesmo nós não nos víamos a ir lá, pelo menos, tão cedo mas, há uma combinação de factores que o explica: o mau tempo, o facto de estarmos apenas a 200 km de lá (cá é muito pouco) e a exposição de impressionismo com todos os quadros do museu D’Orsay por lá (já estavam vistos mas é sempre bom rever). Estrada fora lá fomos nós e de novo surpreendidos pelo caminho. Nos primeiros quilómetros sobe-se a pique no meio de uma floresta luxuriante e super densa. Segue-se um planalto a perder de vista com pastagens verdejantes e pintalgadas por gado e cavalos.

Canberra fica no ACT (Australian Capital Territory) e para evitar discussões foi construída a meio caminho entre Melbourne e Sydney em 1913. É uma cidade planeada de raiz e ao mais ínfimo pormenor e que resultou de um concurso internacional ganho pelo arquitecto americano Walter Burlay Griffin. É perfeitamente geométrica e desenvolve-se toda em volta de um grande lago central, o lago Griffin. A criação artificial desta cidade foi bastante criticada chegando mesmo a dizer-se que foi “a waste of a good sheep pasture”.

Começamos a nossa visita pelo Australian War Memorial, um dos principais museus da Austrália e que cobre toda a história militar do país nomeadamente a participação da Austrália nas duas Grandes Guerras. Se cá fora há pouco para ver, o caso muda completamente de figura assim que se entra e, infelizmente, por causa da nossa agenda apertada tivemos de sair de lá deixando muita coisa por ver.

Seguimos então para o novo parlamento, construído em 1988 e projectado pelo mesmo arquitecto. Este edifício enorme, está tão bem integrado na paisagem com os seus “Green Roofs” que descem até ao nível da rua que acaba por perder, na minha opinião, a imponência que deveria ter. Infelizmente não pudemos ir lá dentro pois já passava das 5 pm.

Parlamento visto, seguimos para a principal atracão, a exposição “Masterpieces from Paris” na National Gallery of Australia. Mesmo não havendo nenhuma exposição relevante, vale a pena passar por cá só para ver o jardim das esculturas que é bem giro. A exposição em si foi fantástica. Todas as grandes obras de Van Gogh, Gauguin, Cézanne, Monet, etc. estavam cá (coitadas das pessoas que forem agora ao D’Orsay) e as salas estavam à cunha. Tirando isto, valeu mesmo a pena.

Com o papo cheio de cultura, faltava preenchê-lo com comida. Fomos para o centro de Canberra e descobrimos que afinal há habitantes nesta cidade. A sensação de cidade fantasma com as ruas completamente vazias que tivéramos o dia todo desfez-se. Esta zona, não sendo comparável a Sydney, era bastante animada com os restaurantes e bares cheios e muitas pessoas nas ruas.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

1st Day - JERVIS BAY

Na sexta-feira, o despertador tocou às 6.00 da manhã… O motivo justificava o esforço, as nossas mini-férias de Páscoa estavam a começar e queríamos aproveitar ao máximo a nossa viagem pela costa sul de New South Wales. Meio ensonados, lá saímos de casa, com o carro carregado de tudo e de mais alguma coisa, em direcção a Jervis Bay. Pela frente, tínhamos 250 km, o que aqui equivale a 3 horas de caminho, e para nossa surpresa, a paisagem que nos foi acompanhando ao longo da viagem era linda, mas mais do que isso, bucólica: campos verdejantes a perder de vista, de vez em quando salpicados de animais a pastar. Apesar das previsões meteorológicas indicarem 80% de probabilidades de chuva, o céu estava azul e tudo parecia revelar que íamos ter um diazão de praia pela frente. A nossa primeira paragem foi na vila de Huskisson. A vila não é nada de especial e a nossa visita serviu mais para obtermos algumas informações sobre aquela zona e dar uma espreitadela na praia, que já fazia parte da enorme baía de Jervis Bay. A paragem seguinte foi já no Booderee National Park, onde se localizam a maior parte das praias. Para grande pena do Pedro, as condições para o surf não eram as melhores pelo que tivemos que trocar os planos iniciais de ficarmos em Cave Beach, por uma praia protegida do vento sul. Depois duma análise do mapa, fomos dar a Green Patch, uma zona abrigada do vento, mas sem qualquer certeza de encontrarmos uma praia. Depois duns metros de bushwalking fomos recompensados: pela frente aguardava-nos uma praia completamente paradisíaca e bem ao meu gosto - areia branca, água cristalina e azul, mar calminho… Ainda tivemos direito a assistir aos mergulhos e “braçadelas” dum simpático pinguim mesmo à nossa frente! Ao final do dia, decidimos fazer umas explorações pelo parque e aproveitar para visitar o farol que nos tinha sido indicado por um local como sendo um ponto de visita obrigatória, por ser o edifício mais antigo e interessante (!) ali das redondezas. Este farol tem uma história curiosa: as preocupações que rodearam a sua construção relacionaram-se essencialmente com os custos, tendo-se ignorado o (relevante) pormenor da sua localização. Ora, para um farol, cuja função principal é assinalar um rumo para os barcos, o resultado não podia ter sido mais desastroso – pelo facto do farol ter sido construído no sítio errado, seguiram-se inúmeros naufrágios dos barcos que por ali passavam e, claro está, um novo farol foi construído. A inutilidade do antigo farol levou à sua destruição e o que resta dele não passa já duma ruína (sem interesse!)! A visita vale só mesmo pela vista que dali se tem! Já em Ulladulla, vila de praia onde íamos passar a noite, jantámos com os Vozones em frente a mar, a assistir ao por de sol, em estilo bem australiano – bbq!!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Uma Páscoa sem cabrito

Pois é, este ano não há: nem família (excepto a Leo), nem cabrito, nem broa, nem folar, nem pão-de-ló, nem amêndoas, nem nada dessas coisas que são a Páscoa (este vazio foi preenchido por uma grande surpresa gourmet recebida à porta de casa). Em vez disso, como muitos Sydnenyanos vamos rumar a Sul e a 1ª paragem será Jervis Bay. O resto logo se verá já que o tempo chuvoso (não como em Portugal, segundo consta) baralhou-nos os planos iniciais. Mas gostaríamos de aproveitar para ir também a Camberra (dependendo do tempo) e Montague Island (provavelmente não pois já é longe de mais para encaixar nos nossos planos). A nossa breve passagem pelo Sul de NSW será complementada com uns passeios aqui há volta de Sydney para aproveitarmos o carro que alugámos. Obviamente que, assim que voltarmos, haverá um relato completo desta Páscoa tão pouco tradicional.

Até lá, BOA PÁSCOA A TODOS!